Essure associado a perigosos efeitos colaterais

Anticoncepcional foi suspenso no Brasil: veja o motivo!

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No dia 20 de fevereiro de 2017, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) interditou a utilização e comercialização, no Brasil, do Essure, um pequeno metal que é introduzido pelo médico em cada uma das trompas, para que a mulher fique estéril. Produzido pela Bayer, o Essure era divulgado como uma opção eficiente, não provocando dores nas mulheres que queriam ficar inférteis sem recorrer à laqueadura.

Quais são os efeitos colaterais associados ao Essure?

No portal americano que divulga o Essure, é possível ler o seguinte alerta: “Certas mulheres que implantaram o produto têm relatado ocorridos adversos, como úteros perfurados, dores permanentes e hipersensibilidade. Por esse motivo, o Essure pode ter de ser retirado através de uma cirurgia”.

Segundo a Anvisa, certas complicações provocadas pelo Essure podem ser graves e, por isso, foi determinado que ele não fosse mais importado, distribuído, comercializado, utilizado e divulgado até nova ordem.

Governos de outros países têm ignorado os riscos do Essure

Maria de Lourdes Felix Medeiros, 45 anos, foi uma das brasileiras que sofreu os efeitos secundários do Essure e se esforçou bastante para a divulgação dos riscos desse dispositivo, tendo, por exemplo, entrado em contato com o Ministério da Saúde e o Senado.

Apesar de não ter recebido nenhuma resposta oficial, Maria de Lourdes considerou que a intervenção foi rápida até porque em outros países, como na França e nos Estados Unidos, os governos têm ignorado esse problema. No entanto, defende que os médicos devem ser orientados para retirar corretamente o Essure do corpo das pacientes.

“médicos devem ser orientados para retirar corretamente o Essure do corpo das pacientes”

O testemunho de uma paciente que implantou o Essure

Maria de Lourdes colocou o Essure há 8 anos por sugestão do seu ginecologista, porque tinha problemas com a pílula e não desejava ter mais filhos. As primeiras complicações surgiram após 1 ano: enxaquecas, dores de cabeça permanentes, dores nos músculos, depressão, dores articulares, hemorragias menstruais e cansaço. No começo, Maria não associou esses problemas ao dispositivo. Após alguns exames, os médicos não acharam nada de anormal. Uns profissionais falavam que ela era hipocondríaca. Outros acreditavam que se tratava de um quadro de menopausa precoce.

Entretanto, Maria descobriu grupos no Facebook de mulheres de vários países que recorreram ao Essure e estavam sentindo os mesmos problemas. Aliás, através desses grupos, Maria conheceu histórias insólitas, como a de uma mulher que engravidou 6 meses após a colocação do dispositivo.

O pior é que o único meio para extrair o Essure é a retirada das trompas e do útero. Maria se submeteu a essa cirurgia e, um mês depois do procedimento, ainda estava passando pela desintoxicação causada pelo metal. Não sendo acessível para uma boa parte das mulheres, a intervenção custou o equivalente a 5 mil euros. Felizmente, os sintomas desapareceram. Maria reforça que, embora tenha assinado um termo de responsabilidade, nunca foi comunicada que o único jeito de extrair o Essure seria através da retirada de trompas e útero. Além disso, nem sequer imaginava que a sua composição fosse tão rica em metais.

Depois da intervenção, o médico mostrou as trompas à Maria e o dispositivo se encontrava completamente destruído e algumas das suas fibras tinham passado para o útero – daí a sua extração.

Num comunicado enviado para a imprensa, a Bayer conta que a decisão da suspensão foi tomada sem o seu prévio conhecimento. A empresa adiantou que estava apurando as razões para essa decisão. Além disso, a Bayer defendeu que o Essure é uma alternativa segura para as mulheres e que esse implante vem sendo comercializado em vários países há mais de 10 anos e, mesmo assim, continua sendo testado, havendo uma ampla quantidade de evidências das suas vantagens.

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Assista a esse vídeo para conhecer outras opções de anticoncepcionais além do Essure:

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