Abuso sexual infantil: como evitar

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O abuso sexual infantil é mais comum do que você pode imaginar. Somente no Brasil, as estatísticas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que 70% dos casos de estupro são com menores de idade, mostrando a importância de se conversar sobre o tema.

De acordo com o instituto, em pesquisa feita em 2014, o perigo realmente está por perto: 24,1% dos agressores das crianças são os próprios pais ou padrastos e 32,2% são amigos ou conhecidos da vítima. Desses números, somente 10% são denunciados para a polícia.

O abuso sexual infantil em números

Confirmando a gravidade e necessidade de se conversar sobre o tema, o Ipea contabiliza que 88,5% das vítimas eram do sexo feminino e mais da metade tinha menos de 13 anos de idade. Para a instituição, “as consequências, em termos psicológicos, para esses garotos e garotas são devastadoras”, mas não se precisa de um estudo para saber disso.

Quando o abuso sexual infantil acontece, a maior parte dos agressores é do sexo masculino, mas de acordo com o estudo 1,8% dos casos denunciados acontecidos com crianças foram ocasionados por uma mulher e quando com adolescentes, 0,99% dos casos.

Entre os locais de maior risco de estupro por alguém conhecido, está a própria casa, com 79% dos casos para crianças e 67% para adolescentes. Já quando se trata de alguém desconhecido como algoz, a casa ainda soma 31,3% para crianças e 21,7% para adolescentes, sendo seguido pelo risco em via pública.

Apenas como indicador, observa-se que as escolas contemplam 2% dos casos de estupro em crianças por pessoas conhecidas e 3,3% dos casos praticados por pessoas desconhecidas. Esse número é mais uma prova da necessidade do diálogo, pois os pais não estarão presentes em todos os lugares frequentados por seus filhos.

Como falar sobre abuso sexual com as crianças

abuso sexual infantil como falar
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Simples, conversar com a linguagem correta, passando somente as informações que elas precisam saber para se protegerem. Sabe qual é a mais importante de todas? É que você confia nela e que vai acreditar no que ela contar. E mais: que sempre vai protegê-la, mesmo que alguém que vocês amam faça mal para ela.

Existem também muitas ferramentas para falar sobre abuso sexual infantil, como a Campanha Defenda-se, que podem te ajudar a chegar a um diálogo saudável para a idade sobre o abuso sexual infantil. Isso protege e informa, já construindo uma criança mais atenta e questionadora. Procure também por livros, se precisar de ajuda, como o “Como conversar com as crianças sobre nudez“, ilustrado e disponível gratuitamente na internet.

Você pode usar vídeos feitos para crianças pequenas ou para as maiorezinhas, que são bem básicos, mas você pode ir conversando mais, à medida em que assistem juntos. O bacana é que dá para adaptar a conversa e torná-la mais lúdica, passando somente as informações que você achar pertinente.

Prestar atenção nos desenhos que elas fazem também é fundamental, pois muitas vezes eles podem ter evidências que passariam despercebidos a olhos desatentos.  Peça ajuda de profissionais sempre que achar necessário.

É fundamental que a criança entenda o que são suas partes íntimas e que ninguém pode tocá-las, de nenhuma forma, ensinando o mais cedo possível a se limparem e tomarem banho sozinhas. Claro que vai haver o momento em que vão ao médico ou quando os cuidadores ainda precisam vesti-los, por isso é importante adaptar a conversa ao estilo de vida e rotina da sua família.

A sexualidade é algo natural, mas tem época e tem forma. Trate como tal, sempre respeitando o tempo e a quantidade de informações que seus filhos já podem receber, sem constrangimento e com a naturalidade que deve ser. Com relação ao abuso, deve-se enfatizar que a criança nunca será a culpada e que você estará sempre a protegendo e escutando.

Dicas para impedir abuso sexual infantil

abuso sexual infantil como evitar
Crédito: Freepik

Agora que já sabe como conversar com seus filhos, tendo o suporte de material didático, veja dicas de como impedir o abuso sexual infantil.

1. Converse

Conversar é a base de tudo. Crie um diálogo aberto e não julgador entre você e seus filhos, com um olhar acolhedor e aberto ao diferente, aprendendo e ensinando. A temática sexualidade deve fluir com naturalidade, sempre adequada à idade da criança.

Vai ser através da abertura do diálogo que você mais vai conseguir proteger seus filhos do abuso sexual infantil, falando sobre as partes íntimas, tipos de contato permitidos ou não. É importante também falar que, mesmo que faça cosquinha, não se deve deixar ninguém tocar nessas partes.

2. Ensine a dizer “não”

Certamente eles já estão treinando isso no dia a dia, testando a paciência dos pais, mas então, por que ensinar a dizer “não”? Porque a criança precisa entender que não deve agradar a todos o tempo todo. Se um adulto ou colega chama para ir a um canto sozinho: não! Se oferece um doce para entrar no carro: não! Se quer aproveitar que estão sozinhos em casa e manter um segredo: não!

E não apenas isso, se ela sentir que está em perigo ou que alguém está tentando fazer mal a ela, diga que ela pode gritar, se afastar correndo dali, mesmo que seja alguém que pareça importante, como um professor, amigo ou da família.

3. Não tenha segredos

Entre vocês não podem haver segredos e isso tem que ficar claro para seus filhos. Se alguém disser que é para manter alguma coisa em segredo, é porque ele está fazendo algo errado e aí mesmo que tem que contar para você.

Mantenha esse laço de confiança, sendo um bom ombro amigo quando eles vierem conversar sobre as dificuldades e alegrias nos relacionamentos dentro e fora de casa, com seus colegas, sempre opinando sem julgar.

4. Trabalhe os sentimentos

Ensine para as crianças que se elas se sentirem envergonhadas, constrangidas ou com medo quando estiverem com alguém, não é bom sinal. Deve sair de perto o mais rápido possível.

Quando se reencontrarem, deve falar com você sobre o que aconteceu, detalhando da melhor forma possível. Nesse momento, você não irá de forma alguma brigar com ele. Seus filhos devem ter essa segurança de que não serão culpados, mesmo que o abusador diga isso.

5. Estabeleçam uma senha

Se a criança já tem idade e maturidade para dormir na casa de um amigo e você concordar, estabeleçam uma senha, que pode ser durante uma ligação ou mensagem, na qual você irá buscá-lo imediatamente. Algo que só vocês entendam.

A mesma coisa caso ele esteja perto de alguém que o está constrangendo, tentando ou que tenha feito algum mal. Criem esse laço na hora de escolher qual vai ser a senha, pode ser alguma frase do herói favorito ou com um gesto específico, por exemplo.

6. Não flexibilize regras

A regra de não tocar as partes íntimas vale para todas as pessoas do seu convívio, mesmo se for uma pessoa que vocês amam, que seja amigo ou alguém importante para a família, se for um amiguinho ou um professor.

E deixe claro que irá apoiá-lo em toda e qualquer situação, acreditar nele, custe o que custar. Ele precisa saber que tem alguém forte e confiável para se apoiar.

7. Instrua-o a não ficar sozinho com estranhos

Essa é uma regra de ouro e deve ser ensinada desde pequenininhos, mas vale principalmente para as crianças maiores e adolescentes. Se saírem, saiam em grupo e não se separem.

Se precisarem ir ao banheiro, vão em grupo, sempre, principalmente as meninas. Dessa forma, se coíbe a intenção do criminoso, pois a vítima não estará vulnerável. O mesmo vale para a casa de amigos ou qualquer lugar que se frequente.

8. Converse sobre a internet

A internet pode ser muito útil para pesquisas escolares, ouvir música, maratonar aquela série que está dando o que falar, mas é também uma poderosa ferramenta nas mãos de pedófilos, sequestradores e outros criminosos.

As redes sociais são um problema à parte, contando com uma facilidade de acesso imensa a pessoas mal intencionadas.

9. Conheça as pessoas que passam tempo com seu filho

Saiba quem são os colegas com os quais seus filhos mais passam tempo e conheça as famílias. Conheça bem os professores, cuidadores e outros adultos que venham, porventura, a conviver com a criança.

Quando adolescentes isso é ainda mais importante para garantir mais segurança e estabilidade, reduzindo as chances de ataque. Que tal deixar a sua casa sempre disponível para as atividades em grupo da escola?

10. Imponha limites

Por mais que o diálogo seja fundamental, você tem que impor limites e regras. Nada de aceitar carona ou alimentos de estranhos (mesmo que sejam da mesma idade), nada de dar endereço, telefone, dizer onde estuda e outras informações pessoais, mesmo que seja chamado de bobo.

Deixe claro para seu filho que ele pode – e deve – impor seus próprios limites nas atividades do dia a dia. Não fazer nada que não sinta à vontade e nem se colocar em risco estando em situações perigosas, como ficar sozinho com adultos que não passam segurança.