Andador é perigoso: sim ou não?

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Muitas famílias acabam comprando um andador para seus bebês, visando ajudar ou até mesmo adiantar o processo de desenvolvimento do caminhar da criança. Outro fator é a facilidade de deixar o bebê em um lugar de fácil visualização, sendo o andador mais fácil de encontrar do que o próprio bebê. Mas será que andador é perigoso?

Os andadores são perigosos?

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Crédito: Ponto Frio

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) tem lutado para banir o brinquedo do país para “proteger as crianças dos riscos aos quais ficam expostas ao usarem esse aparelho que não traz nenhum benefício, e que, comprovadamente, ameaça sua integridade física e até mesmo sua vida”.

De acordo com a SBP, muitos são os casos de acidentes e até mortes por causa do uso de andadores, a exemplo de países como Portugal, que teve 15 mil registros entre 1997 e 2002, a Austrália, com 979 só em 2011, ou Estados Unidos, com mais de 20 mil acidentes somente em 1995.

No Canadá, sua venda é proibida e nos EUA são muitos os pedidos de banimento, através de entidades responsáveis pela saúde da criança. Existem normas europeias e estadunidenses e ainda assim acidentes graves ocorrem todos os meses. No Brasil, não há legislação específica para o aparelho.

Riscos envolvidos

Ok, você já sabe que o andador é perigoso e muito menos inofensivo do que parece, mas quais são os riscos reais de deixar a criança nesse aparelho? De acordo com a instituição, são muitos os riscos, como citados a seguir.

  • Quedas e tombamentos;
  • Maior velocidade para chegar até itens de risco, a exemplo de fogões, panelas quentes ou remédios;
  • Quedas em pequenos degraus ou desníveis do piso;
  • Queda em escadas;
  • Queimaduras;
  • Cortes;
  • Afogamento;
  • Intoxicação.

Além disso, limita o campo de desenvolvimento do bebê, pois ele não pode explorar o espaço de forma ampla, realizando assim menos conexões neurais. Quanto mais estímulos ele tiver, mais desenvolvida será a sua cognição e coordenação motora, tanto a geral quanto a fina.

Veja também: como ajudar um bebê a engatinhar

De acordo com o INMETRO, em uma pesquisa realizada sobre a qualidade e segurança do aparelho por bebês, o uso de andadores “atrasa o desenvolvimento motor das crianças, frente àquelas que dispensaram seu uso levando a criança a pular etapas essenciais a seu desenvolvimento”.

Por mais que dê alguns minutos de falsa tranquilidade, o andador é perigoso e pode tomar ainda mais o tempo de cuidadores ao causar acidentes, de leves a graves, incluindo risco de morte. Ter um bebê em casa é uma tarefa para um time, então, às vezes é melhor abrir mão de certas tecnologias e contar com o bom e velho olho de pai e mãe (ou outros cuidadores).

Além disso, não ajuda a caminhar mais rápido, pelo contrário. Um estudo realizado pela University College Dublin mostrou que o uso do andador é perigoso e prejudicial ao desenvolvimento da capacidade de aprender a caminhar. Segundo a pesquisa, cada dia de uso gerava atraso de 3,3 dias no aprendizado de andar sozinho e 3,7 dias para ficar em pé sozinho.

O Inmetro realizou com 10 diferentes marcas de andadores vendidos no país um teste analisando alguns pontos de segurança, de acordo com o padrão europeu, já que no Brasil não há legislação para tal. Os pontos analisados foram:

  • Inflamabilidade, para ver se o material é realmente seguro contra chamas;
  • Aberturas, por onde o bebê possa prender um dedinho ou a perna e se machucar;
  • Arestas, cantos e projeções, que possam machucar o bebê ou familiares;
  • Partes pequenas que possam ser engolidas;
  • Cordões, fitas e peças que possam ser usadas como laço, causando estrangulamento;
  • Movimentação das partes rígidas, se estão seguras e resistentes;
  • Assento, se suporta o peso e movimentos repetidos;
  • Estabilidade, se ele vira com facilidade;
  • Prevenção em quedas em degraus entre outros.

Para seu espanto, absolutamente todas as marcas foram reprovadas em algum ponto, sendo consideradas inseguras para o bebê. E você deve estar pensando que eram marcas mais simples, não é? Pois veja a lista das empresas testadas:

  • Angel;
  • Burigoto;
  • Chicco;
  • Cosco;
  • Dardara;
  • Divicar;
  • Galzerano;
  • Hércules;
  • Philpoo;
  • Baby Siclos.

Muitas são reconhecidas como líderes de vendas de produtos para bebês, sendo assim até chocante o resultado. Veja mais detalhes no vídeo do Fantástico sobre o estudo.

Alternativas aos andadores

Para estimular seu filho a andar sozinho, a primeira coisa a ter em mente é que cada criança tem seu tempo e – a não ser que tenha limitações físicas – deve andar até os 18 meses ou mais, a depender da quantidade de estímulo e liberdade para testar.

O melhor ainda é deixar que explore a parte segura e permitida da casa (que não inclui cozinha nem banheiros) fazendo seus testes de levantar sozinho, se segurando em objetos como sofás e afins. Lembre-se de reforçar a segurança e atenção, pois ele irá tentar se levantar com cadeiras que podem virar.

Porém nada melhor para seu desenvolvimento físico, mental e afetivo, do que ganhar atenção dos seus cuidadores, com muita música, apoio e também espaço para que tente sozinho. Pegar as mãozinhas, sem forçar, deixando que ele encontre o ponto de equilíbrio, é muito melhor do que o andador. Tem o toque, o olho no olho e a voz de quem ele ama.

Se a intenção é deixá-lo quietinho por um tempo curto, enquanto faz atividades que requeiram mais atenção, pode cogitar a possibilidade de usar um cercadinho ou até criar uma super área de brincar, com piso emborrachado e uma barreirinha em volta, para evitar fugas astutas.

O mais importante: passem tempo juntos. O estímulo de alcançar seus familiares é excelente para que ele queira aumentar a velocidade, ficando sobre suas perninhas. Lembre-se de elogiar e não se assustar com as pequenas quedas, falando calmamente. Mostre que está tudo bem cair, levantar e começar novamente (como tudo na vida).