Esperança: mamães com zika têm bebês sem microcefalia

Estudo feito em São Paulo teve 100% das crianças sem a doença

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Em São Paulo, cerca de 50 grávidas que tinham contraído o vírus da zika deram à luz crianças que não sofrem de microcefalia. Esse resultado traz esperanças para o futuro dos bebês e das mamães que sofrem com a doença.

Entre esses bebês, 28% têm uma modificação neurológica, mas com manifestações muito mais brandas em comparação com crianças do Nordeste ou Rio de Janeiro, cujas mães tinham sido igualmente atingidas pelo zika.

Essa foi a primeira vez que se tornou possível comparar de forma confiável as características de duas populações distintas que contraíram esse vírus. A pesquisa foi desenvolvida pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto.

Especialistas ainda incapazes de explicar diferença entre populações

Com os resultados de São Paulo, os especialistas não conseguem explicar a diferença entre populações. Quando a epidemia de zika afetou o Brasil pela primeira vez, na região do Nordeste, em 2015, os investigadores não foram capazes de avaliar uma boa parte das grávidas. Somente os recém-nascidos foram analisados, o que não permitiu um trabalho aprofundado.

Só em 2016 surgiram as primeiras conclusões fiáveis: investigadores da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, avaliaram 125 gestantes com zika.

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Cerca de 40% dos recém-nascidos contava com distúrbios graves no sistema nervoso, aproximadamente 7% tiveram interrupção e 4% dos bebês sofriam de microcefalia.

Essas conclusões são bastante diferentes dos resultados de São Paulo. De acordo com os especialistas, existe um fator que está agindo juntamente com o zika, mas que permanece desconhecido.

Existe uma hipótese de tudo se tratar de uma diferença genética. Outra possibilidade é a maior presença, no Nordeste, de outras causas que provoquem a malformação do feto, incluindo toxoplasmose.

Ainda se desconhece como as infecções anteriores, causadas pelos vírus da dengue ou da chikungunya, ambos relacionados com o zika, poderiam moderar ou aumentar a resposta do organismo da gestante ao novo vírus.

Saiba mais sobre o vírus zika, nesse vídeo:

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Fonte: Folha de S. Paulo