Células-tronco: o que são, por que guardar e como usar?

0
342
células-tronco
Crédito: Freepik

O corpo humano é uma máquina perfeita que constantemente surpreende a ciência com novas descobertas. Ainda há muito o que saber sobre o funcionamento do organismo humano, mas também, muito já se sabe, como por exemplo, a função e a importância das células-tronco que são capazes de regenerar o organismo de várias doenças. É por isso que muitos pais escolhem guardar essas células que estão em grande quantidade no cordão umbilical do bebê.

Veja também: por que os pais devem guardar os dentes de leite dos filhos

O que são células-tronco?

De acordo com o Instituto de Pesquisa com Células-tronco, essas células são capazes de fazer autorrenovação e se diferenciarem em muitas outras categorias de células. Elas são capazes tanto de se duplicarem para gerar outras células-tronco quanto de se transformarem em outros tipos de células. Quer dizer que elas podem ser programadas para funções específicas, pois elas ainda não são “especializadas” em alguma parte do corpo.

De modo simplificado, é como se fossem um “estoque” de células neutras que o corpo reserva para quando precisar utilizar em diferentes situações, fazendo-as se transformarem no tipo de célula necessária em cada parte do corpo.

Tipos de células-tronco

tipos de células-tronco
Crédito: Freepik

Existem três tipos principais de células-tronco: as embrionárias e as adultas, que são naturalmente encontradas no corpo humano, e as induzidas, que foram obtidas em laboratório em 2007.

Embrionárias

Essas células-tronco são as encontradas no embrião, somente de 4 a 5 dias após a fecundação, o chamado estágio de blastocisto. Quando o embrião ainda não começou a sua formação, ele conta com as células-tronco embrionárias que vão dar início a sua formação.

Elas são as “sementinhas” que vão começar a se transformar em células especializadas para criar coração, cérebro, e todas as demais partes do corpo. Então, são chamadas de embrionárias, apenas as células existentes no embrião antes da sua formação em feto.

A partir do 5º dia depois da fecundação, essas células já iniciam suas divisões e especializações, formando estruturas mais complexas, então deixam de ser células-tronco. Mesmo assim, vai continuar existindo um “estoque” de células tronco para quando for necessário.

Uma curiosidade é que o corpo humano possui cerca de 216 tipos de células diferentes e as células-tronco embrionárias são capazes de se transformarem em todos os tipos.

Adultas

Quando o bebê já iniciou sua formação, ele passa a ter apenas células-tronco adultas, pois o embrião já não existe, está virando um bebê. As células ficam reservadas principalmente no sangue do cordão umbilical.

Ao longo da vida, elas ficam depositadas em maior quantidade na medula óssea, mas também se dividem um pouco em cada órgão do corpo para promover a sua regeneração em casos de problemas de saúde.

Elas são chamadas de células multipotentes porque são menos versáteis do que as embrionárias, chamadas de pluripotentes. No cérebro elas viram os neurônios, no coração formam o músculo cardíaco e na medula são as células sanguíneas.

Induzidas

As induzidas são as células-tronco obtidas em laboratório a partir da pele humana, evento que ocorreu em 2007. Elas são utilizadas para promover a reprogramação de células doentes no corpo, considerando que qualquer tecido pode ser reprogramado.

Essa reprogramação ocorre da seguinte forma: é inserido um vírus (não causador de doença) com 4 genes no DNA da célula adulta, então esses genes reprogramam o código genético fazendo as células voltarem ao estágio inicial de células-tronco embrionárias que são as mais capazes de se autorrenovarem e se transformarem em qualquer outro tipo de célula, tratando determinadas condições de saúde.

Veja também: doenças na gravidez que podem prejudicar o bebê

Importância das células-tronco e como podem ser usadas

É através das constantes pesquisas com células-tronco que a medicina consegue entender melhor o funcionamento e o crescimento dos organismos no corpo humano, como eles se mantêm e como se comportam durante uma doença. Com essas células os cientistas conseguem estudar doenças, testar medicamentos e desenvolver terapias para tratamentos e curas.

No combate de determinadas doenças que degeneram tecidos do corpo, a terapia celular é uma das possibilidades de cura, pois trocam-se as células doentes por saudáveis. Esse tratamento ainda não é viável para uso popular, pois necessita de mais estudos antes de chegar a ser uma opção nos consultórios médicos.

Não é possível que os médicos possam usar apenas as células induzidas para tratar pacientes, pois elas ainda não são totalmente iguais às células naturais, ou seja, não servem para todas as pessoas e todos os casos. Então, ainda se trata de um processo muito caro e com obstáculos, em estágio inicial, mas que talvez seja a solução para muitos problemas de saúde no futuro.

Veja também: doenças detectadas pelo teste do pezinho

Por que guardar células-tronco do cordão umbilical?

Como antes mencionado, no cordão umbilical do bebê existe uma grande concentração de células-tronco adultas que podem ser guardadas em um laboratório especializado para possíveis tratamentos futuros, tanto para o bebê quanto para seus pais e irmãos.

Pelo fato de que as células-tronco obtidas em laboratório ainda não são idênticas às naturais, se quiser pensar em terapia celular é melhor que ela seja feita com as células do próprio organismo, as naturais da pessoa ou de seus parentes de primeiro grau.

Por isso que existem as doações de células-tronco da medula óssea entre pais, irmãos e filhos. Mas como nem sempre elas são aceitas no organismo de quem recebeu a doação, a melhor opção é utilizar as células guardadas do cordão umbilical da própria pessoa que podem ficar armazenadas por 20 a 25 anos.

Como são coletadas e armazenadas as células do cordão umbilical?

armazenar células-tronco
Crédito: Freepik

É chamado de criopreservação o processo de recolha e armazenamento das células-tronco do cordão umbilical. Os pais devem falar sobre esse desejo previamente com o médico para que essa recolha seja feita após o parto.

Se não for feita pelo cordão umbilical também pode ser feita pela medula óssea. Então, essas células ficarão armazenadas em temperaturas negativas, em um laboratório especializado, ficando disponíveis ao longo de 20 a 25 anos.

Claro que esse tipo de procedimento não é acessível a todos, é como um plano de saúde que se paga ao longo de todos esses anos para que se possa usar as células em caso de doença na pessoa ou seus parentes de primeiro grau, ainda considerando que a doença possa ser tratada com células-tronco.

Existe, também, o programa da Rede BrasilCord que é um banco público em que as células são doadas para a sociedade, podendo ser usadas no tratamento de doenças. O objetivo desse programa é diversificar o material genético disponível para transplantes de medula óssea e também facilitar a localização de doadores compatíveis em todo o território nacional.