A crise dos dois anos: mudanças no comportamento da criança

Considerada a "adolescência do bebê", a crise dos dois anos é uma fase difícil do desenvolvimento da criança, que vai exigir muita paciência e dedicação dos pais

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A transição entre a primeira fase do desenvolvimento e a segunda acontece quando a criança está com a idade entre 18 meses e 2 anos. Essa etapa preocupa os pais, principalmente os de primeira viagem.

É o momento no qual a criança deixa de, apenas, receber estímulo do ambiente e quer interferir no mundo ao seu redor. Assim, ela grita, bate nas pessoas, se joga no chão. Este momento é conhecido como “adolescência do bebê”.

Claro que não é uma situação fácil. É preciso que os pais tenham paciência e saibam estabelecer os limites da criança. É o momento de demonstrar quem manda, do contrário, não é possível ajudá-la a superar este momento de transição.

Mas atenção! Todas as crianças passam por este momento, umas de forma mais intensa do que as outras. Não tente evitar esta fase, também não há como fazê-lo. Mesmo que um sobrinho pareça um anjo perto do seu filho, ele está vivendo uma tempestade emocional, mas a forma de demonstrar é diferente. O importante é lidar de modo educativo e construtivo com a situação.

O que é a “adolescência do bebê”?

É a transição do desenvolvimento psicológico e físico. A criança forma a linguagem e percebe que pode interferir no ambiente que a cerca. Então, ela começa a testar os limites de tudo.

Deixa de obedecer, quer que façam apenas suas vontades, chora e esperneia quando contrariada, bate e morde quem estiver perto, choraminga para pedir coisas simples, sempre quer ser do contra.

Simplesmente, a criança percebe que tem desejos e pode ter opiniões, mas não sabe quais são os limites nem até onde ela pode caminhar com suas vontades. Ela não sabe, por exemplo, que existe uma diferença entre as decisões dela e a organização da vida dos pais com a casa, o trabalho, o lazer. A única resposta que ela pode dar quando não tem a vontade satisfeita é a birra.

Por esse desconhecimento do mundo é que os filhos às vezes pedem, por exemplo, um tipo de comida e na hora de comer dizem que querem outra coisa. É uma mistura entre uma resposta automática da fase anterior e a vontade de pensar e decidir por si.

Não tente evitar esta fase, também não há como fazê-lo

Como lidar com a situação?

É um momento de conflito para os dois lados, tanto pais quanto filhos. Portanto, é preciso bom senso e, eventualmente, algum jogo de cintura para desarmar as crianças. Por mais que elas esgotem a nossa paciência, é preciso respirar fundo e evitar a agressividade, pois tapas, puxões de orelha e beliscões nunca resolvem.

Ao ir para a rua com o filho, o primeiro passo deve ser sempre conversar e informar quais são as condições do passeio e o que você espera em termos de comportamento. Lembre-se, também, que a criança nesta idade fica cansada mais depressa, sente sede e pode ficar desconfortável em lugares muito cheios. Não espere que ela vá se comportar como um adulto.

Explique também as consequências de um mau comportamento. Mas, tem que ser algo que pode ser feito, só ameaçar é criar problemas para o futuro.

Caso a criança faça birra em público, não se apavore. O primeiro passo é mandá-la parar e se acalmar. Outra saída é ignorar a birra e mudar o foco da atenção. Se persistir, pode sair com ela do local e, depois da situação acalmada, conversar ou mesmo se afastar, mantendo sempre a vigilância: seu filho vai sentir-se um pouco inseguro e saberá que você desaprovou este tipo de comportamento.

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Comportamento violento

Os sentimentos de tristeza, frustração e irritação são naturais em todos nós. Aos dois anos, nossos filhos demonstram plenamente seu estado de espírito. Mas este momento é ideal para aprender a reagir a estas situações que se repetem ao longo da vida. Cabe aos pais mostrar o caminho menos doloroso a seguir.

No caso extremo, quando a criança passa a bater, é preciso haver uma reação imediata. Ajoelhe-se na altura dela, olhe nos olhos e fale com voz calma e firme que este comportamento não deve ser repetido e é inaceitável. Sempre deixe claro que haverá um castigo. E sempre cumpra com a punição.

Por outro lado, a autoagressão deve ser vista com cuidado. Numa primeira vez que seu filho tenha uma atitude de bater em si mesmo ou com a cabeça na parede, leve-o para um local mais seguro ou ponha uma almofada para ele não se machucar. Mesmo neste caso é preciso demonstrar que não está afetado pela reação da criança. Saia de perto, pois ela não vai continuar o “espetáculo” sozinha.

Atenção! Se em qualquer situação cotidiana a criança usar a autoagressão como recurso, é preciso consultar um especialista. Arranhar-se, puxar os próprios cabelos, bater na própria cabeça é sintoma de um grande conflito emocional, uma angústia com a qual ela não consegue lidar.