Curetagem: tudo o que é preciso saber sobre a raspagem uterina

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Crédito: Freepik

Existem certos procedimentos ginecológicos que muitas mulheres ouvem falar, mas não sabem exatamente para que servem e como são feitos. Um deles é a curetagem. Para quem já ouviu falar, esse procedimento causa uma grande aflição, já que se trata de uma raspagem uterina. Saiba agora mais detalhes de como é feito esse procedimento e quando ele é necessário.

O que é curetagem?

A curetagem é um procedimento realizado pelo ginecologista para limpar o útero em casos de aborto espontâneo ou aborto retido e em outros casos específicos. Existem dois tipos: a endocervical e a uterina.

Curetagem endocervical

Esse tipo de procedimento é realizado para o diagnóstico de doenças. É feita uma coleta do tecido uterino endocervical, ou seja, no canal do colo do útero. O material coletado é enviado ao laboratório para verificar casos de pólipos ou lesões no canal cervical.

Curetagem uterina

A uterina é o tipo de curetagem feita em casos de aborto espontâneo incompleto ou aborto retido, também quando parte da placenta fica retida no parto normal ou, ainda, para diagnosticar casos de doenças do endométrio, como pólipos, hiperplasia ou carcinoma.

Como é feita a curetagem?

como é feito curetagem
Crédito: Freepik

Esse procedimento assusta um pouco as mulheres porque é invasivo, tanto para diagnóstico quanto para tratamento. Para fazer, o ginecologista utiliza um aparelho chamado cureta que se parece com uma colher.

Como é um procedimento que causa desconforto e dor é usada anestesia, que pode ser geral, peridural ou raquianestesia, portanto, deve ser feito no hospital.

O médico fará a raspagem dos tecidos e resíduos do útero através do canal vaginal, então também é necessário que a vagina esteja dilatada. Para isso, a dilatação pode ser induzida com medicamentos ou instrumentos médicos.

De modo geral, o procedimento leva entre 15 e 30 minutos, mas em alguns casos pode levar um pouco mais.

Cuidados após procedimento

Depois da realização da curetagem a mulher permanece no hospital em observação e geralmente é liberada cerca de 6 horas depois. Quando chega em casa deve manter o repouso por uns 3 dias, evitando tarefas pesadas ou excesso de atividades e fazendo uma alimentação leve e saudável.

Quanto à volta da prática sexual, pode ocorrer cerca de 2 semanas após o procedimento para garantir que o útero esteja recuperado e pronto caso ocorra uma nova gestação e também para que a mulher esteja se sentindo realmente bem, evitando dores e desconforto na relação.

Mesmo assim, cada mulher tem seu tempo. Dependendo do motivo pelo qual a curetagem foi recomendada podem ser necessários cerca de 40 dias para que o útero esteja recuperado, assim como ocorre no pós-parto comum. Por isso é importante ouvir com atenção as recomendações do médico.

Depois do procedimento, a mulher irá sangrar por alguns dias, precisando fazer uso de absorvente externo. O interno não pode ser usado devido ao risco de infecção. Cólicas leves também são esperadas, por isso o repouso e uma alimentação leve são bem importantes.

Quando a curetagem é necessária?

quando fazer curetagem
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A principal recomendação desse procedimento é nos casos de aborto, pois quase sempre ficam retidos resíduos de placenta no interior do útero que precisam ser removidos para que a mulher não tenha complicações futuras de saúde ou caso queira engravidar. Vale lembrar que esse não é o único método de fazer a limpeza uterina. É possível conversar com o médico sobre a possibilidade de um esvaziamento uterino a vácuo.

Recomendações gerais do procedimento

  • Raspagem dos restos ovulares, especialmente quando estão há mais de quatro semanas no útero;
  • Remoção de restos placentários em parto normal, quando existe essa necessidade;
  • Remoção de tumores benignos;
  • Remoção de óvulo sem embrião;
  • Diagnóstico de câncer do endométrio;
  • Investigação de hipertrofia endometrial.

O que pode acontecer se não fizer a curetagem?

Nos casos em que esse procedimento é recomendado como diagnóstico, o risco é de que a doença da qual se tem suspeita não seja identificada e acabe por evoluir. Mas isso só acontecerá caso a paciente resolva não dar continuidade à investigação do problema, como o médico recomendou.

O maior problema que pode acontecer se não fizer a curetagem está relacionado ao aborto, quando a mulher passa por essa situação sozinha e não busca ajuda médica para fazer a limpeza uterina. O aborto séptico, por exemplo, é uma das complicações que podem ocorrer caso o útero mantenha-se com os resquícios da gestação que não vingou.

A mulher poderá ter sintomas como febre alta, aumento da frequência cardíaca, risco de perda do útero e, em casos graves, pode ir a óbito. Nem sempre ocorre de ficarem restos ovulares no útero quando o aborto é espontâneo, geralmente quando é induzido, mas sempre existe o risco.

O procedimento dói?

Sim, esse procedimento é invasivo e causa dor, por isso que é obrigatória a aplicação de anestesia, então, a mulher não sentirá a dor, apenas os desconfortos comuns depois que a anestesia passar e ela estiver em recuperação. Se nesse período de recuperação a mulher continuar sentindo muita dor e tiver outros sintomas, como febre e dor abdominal, deve entrar em contato com o médico.

Dá para fazer pelo SUS?

Sim, quem não tem condições de pagar pelo procedimento em uma clínica particular, pode solicitá-lo pelo SUS, assim como todos os cuidados necessários para a mulher, conforme recomendado na Norma Técnica para Atenção Humanizada ao Abortamento criada pelo Ministério da Saúde.