Esparadrapo corrige orelha de abano, sim ou não?

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A famosa orelha de abano é uma característica herdada dos ancestrais, que faz com que a criança nasça com a parte de cima das orelhinhas mais separada da cabeça. Não traz nenhum problema para a criança, mantendo a audição em perfeito estado. Ao mesmo tempo, muito pais pensam que esparadrapo corrige orelha de abano. Será que é verdade?

Esparadrapo corrige orelha de abano?

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), é errada a ideia de que esparadrapo corrige orelha de abano. Pelo contrário, ainda pode causar lesões na pele, que é muito delicada. A cola pode causar irritação, podendo evoluir para ulcerações.

Além disso, ao retirar, pode causar bastante dor, principalmente se ficar fixa nos fios de cabelo do bebê. Além disso, a região é cheia de pequenos pelos, então as chances de dor são maiores.

Outro ponto negativo é que o resultado esperado não irá acontecer. Colar um esparadrapo não dá a pressão suficiente para que a cartilagem se modifique. Então, não vale a pena utilizar essa técnica. O que fazer então?

Veja também: dicas e cuidados para furar e tratar a orelha da recém-nascida 

Como corrigir a orelha de abano?

Como corrigir a orelha de abano
Crédito: Folha de São Paulo

Existem algumas opções para alterar a forma com que as orelhas se posicionam em relação à cabeça, sendo a maioria delas feitas ainda quando bebês. A mais conhecida e recomendada é a utilização de um molde de silicone.

Comercializado no país com o nome de Earwell, ele é aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e dá resultados positivos. Além de não impedir a circulação sanguínea na região, é confortável e adaptável.

Esse molde funciona realizando forças contrárias ao desenvolvimento padrão – que dá origem ao formato não desejado. Dessa forma, consegue reposicionar a cartilagem, sendo trocado a cada 15 dias.

Ele deve ser colocado por um médico, preferencialmente no primeiro mês de vida do bebê, no máximo até 45 dias depois de nascido. Isso porque a orelha ainda está bem maleável nesse período, dada a quantidade dos hormônios maternos. Depois desse prazo já não irá funcionar.

A SBCP afirma que o sucesso desse procedimento é de 90%, segundo um estudo feito com 488 crianças e publicado na revista científica Plastic and Reconstructive Surgery. O ponto negativo do procedimento é seu alto custo (cerca de R$ 10 mil), dada a necessidade de manutenção quinzenal.

Outra forma de corrigir as orelhas de abano em crianças é a cirurgia plástica, que só pode ser realizada depois dos 6 anos de idade. Nessa fase, a orelha já não vai passar por mudanças drásticas de tamanho, dando assim um resultado mais confiável.

Além disso, a criança já terá discernimento para poder conversar sobre o tema com o médico e permitir que se realize a cirurgia. Ela deve mostrar que realmente quer fazer o procedimento e cooperar com o processo.

Essa cirurgia se chama otoplastia e visa, de acordo com a SBCP, “melhorar a forma, a posição ou as proporções das orelhas quando a malformação causa incômodo. O procedimento corrige um defeito na estrutura presente desde o nascimento, mas que se torna mais aparente com o crescimento”.

Para a entidade, a cirurgia também envolve riscos, como a possibilidade de “sangramento, assimetria, infecção, má cicatrização, alteração na sensibilidade da pele, possibilidade de nova cirurgia, entre outros”.

As linhas da cirurgia ficam normalmente atrás da orelha ou nas dobras naturais da mesma, ficando bem discretas e desaparecendo com o tempo. A criança pode sentir sensibilidade na pele e dor depois do procedimento.

O ideal é conversar com o seu pediatra de confiança para ver quais são as opções mais interessantes para o bebê e a família. Somente um médico pode recomendar a cirurgia, sendo porém uma escolha estética e não funcional.

Veja como funciona o molde para recém-nascidos nesse vídeo, que mostra maiores detalhes do procedimento.