Como a Manobra de Kristeller coloca em risco a saúde da mãe e do feto

Prática não é recomendada pela Organização Mundial de Saúde e até pode ferir a coluna vertebral do feto

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A Manobra de Kristeller é uma prática obstétrica em que a mulher em trabalho de parto é sujeita a um método que prioriza a agilização do nascimento em detrimento do seu bem-estar. Sendo assim, quando a mãe começa tendo aquela vontade irreprimível de forçar para que o feto saia do seu útero, é colocada numa cama incômoda, com a barriga para cima e as pernas levantadas – como se fosse um frango assado.

Para apressar o parto, o obstetra executa essa Manobra de Kristeller, empurrando a barriga da mãe para baixo. E aí… vale tudo: existem parteiros que empurram com as mãos. Outros profissionais optam pelos braços. Há ainda quem utilize os cotovelos e até os joelhos!

Há parteiros que empurram a barriga da mãe para baixo com as mãos, os braços, os cotovelos e até os joelhos!

Qual é a origem da Manobra de Kristeller?

Tudo começou há cerca de 150 anos quando o ginecologista Samuel Kristeller compartilhou um estudo sobre a ajuda manual para empurrar o feto com o intuito de executar uma massagem no fundo do útero. Desse modo, seria possível haver uma estimulação das contrações. Ao mesmo tempo, o bebê seria empurrado até ao canal de parto.

Embora tenha sido encarado como um método inofensivo, diversos organismos não aconselham mais a prática da Manobra de Kristeller: desde a Organização Mundial de Saúde à Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. De acordo com essas instituições, o procedimento não é eficiente, é incômodo e ainda acarreta riscos.

Quais são as consequências da Manobra de Kristeller?

Para a mãe:

  • Aumenta a probabilidade de ferimentos graves, abrangendo o esfíncter anal;
  • Aumenta a probabilidade de fazer um corte entre a vagina e o ânus (episiotomia);
  • Origina mais dor no períneo no pós-parto;
  • Origina a dispareunia, ou seja, a dor no decorrer do ato sexual;
  • Origina a rotura no útero;
  • Origina um descolamento de placenta;
  • Origina diversas hemorragias;
  • Origina sensações de mal-estar provocadas por faltas de ar (algumas mães até desmaiam);
  • Origina uma embolia amniótica.

Para o feto:

  • Origina um cefalohematoma;
  • Origina fraturas na região do crânio;
  • Origina fraturas na região da clavícula;
  • Origina uma redução na quantidade de oxigênio no cérebro;
  • Origina uma coluna vertebral ferida.

Em vez da ineficaz Manobra de Kristeller, a melhor alternativa para expelir o feto é deixando a mãe bem à vontade, permitindo uma ampliação da pelve e contando com uma ajudinha da gravidade. Os parteiros que se opõem a essa liberdade da mulher e insistem na aplicação da Manobra de Kristeller estão praticando violência no parto.

Logo, essa Manobra se opõe por completo àquilo que o parto deveria idealmente representar: um acontecimento repleto de amor, alegria e realização. Essa hora tão especial não deve ser marcada por uma violência tão intensa que chega a causar sequelas físicas e psíquicas, por vezes para sempre.

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Assista a esse vídeo para saber mais sobre Manobra de Kristeller:

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