Mulher com dois úteros dá à luz a três bebês com um intervalo de um mês

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Mulher com dois úteros dá à luz a gêmeos
Crédito: Freepik

O caso aconteceu na zona rural de Bangladesh, com uma jovem de apenas 20 anos. Arifa Sultana deu à luz, ao todo, a três crianças. Um nasceu primeiro e, 26 dias depois, um casal de gêmeos veio ao mundo. A mulher tem dois úteros e só descobriu que seria mãe de três na hora do segundo parto.

De acordo com médicos especialistas, úteros didelfos são mais comuns do que se imagina, podendo atingir 10 a cada 20 mil mulheres. A gravidez em casos assim já aconteceram muitas vezes antes, não sendo assim motivo para preocupação.

Entenda o que houve

Nos últimos dias de fevereiro de 2019, Arifa foi ao hospital ter seu bebê, pois já estava sentindo contrações. Oriunda de uma região menos abastada de Bangladesh, ela não fez pré-natal e ainda menos qualquer tipo de ultrassonografia.

Seu filho nasceu saudável e ela pôde voltar para a zona rural, onde morava. Porém, 26 dias depois, ela sentiu fortes dores abdominais e decidiu voltar ao médico, para ver se não era nenhuma inflamação.

Para seu espanto, ela continuava grávida e de gêmeos! O primeiro parto foi em um dos seus úteros, sendo a outra gravidez no outro útero. Por isso durou mais tempo e o parto não aconteceu ao mesmo tempo.

Os médicos passaram a paciente para a sala de cirurgia e iniciaram uma cesariana para a retirada dos gêmeos. Era uma menina e um menino, que nasceram fortes e saudáveis. Assim, Arifa agora é mãe de três bebês.

Eles foram frutos de três óvulos diferentes, que foram fecundados juntos, porém se dividiram em úteros diferentes. O nascimento deixou a família feliz e preocupada, pois eles têm uma renda de menos de R$ 400 por mês. Ao mesmo tempo, de acordo com o pai dos bebês, “foi um milagre. Todas as crianças estão saudáveis. Vou fazer de tudo para deixá-los felizes”.

O que é útero didelfo

dois uteros utero didelfo
Crédito: Hospital Central do Exército

Fruto de uma má-formação congênita, o útero didelfo significa que o órgão é dividido em dois. Fica uma trompa para cada e dois canais vaginais, que podem se encontrar ou não, na formação da vagina. Esse não é um caso fácil de detectar, pois não há sintomas específicos e muitas mulheres têm vida normal sem saber que têm essa má-formação.

O útero didelfo soma 26% dos casos de más-formações uterinas, sendo o útero completamente separado – chamado de septado – cerca de 40% dos casos. Essa condição pode levar a uma elevação dos casos de morte materna e do bebê, “causando retenção placentária, subinvolução uterina e hemorragia, dispareunia e sangramento uterino disfuncional”, segundo estudo feito em São Paulo.

Porém, o mais provável é que tudo transcorra normalmente, sendo detectado somente em casos de cesariana, em pacientes que realizaram o pré-natal ou que tiveram que fazer outros exames de imagem ou mais invasivos, como a laparoscopia, durante a vida.