Partos na penumbra deixam mães mais à vontade

Preferia que seu parto fosse mais ou menos iluminado? De que forma acha que isso poderia afetar o nascimento do seu bebê? Confira!

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Já alguma vez pensou que a luminosidade podia ter importância na hora do parto? Ao que parece, de acordo com uma investigação da Faculdade de Enfermagem da Universidade Estadual de Campinas, o parto corre melhor com pouca iluminação. Isso porque, por alguma razão, a mulher parece ficar mais tranquila nesse ambiente.

O parto na penumbra é facilitado

“Verificamos que o nascimento é facilitado na penumbra. As mulheres verbalizavam menos dor”, afirma Michelle Gonçalves da Silva, autora desse estudo.

isso acontece porque assim a mulher se sente menos observada, Nesse momento em que está tão exposta, relaxando mais facilmente.

95 partos em análise

Para que pudesse chegar em essas conclusões, a investigadora analisou 95 partos. Uma parte foi realizada em condições de iluminação ditas normais. A outra parte foi realizada na penumbra. Para registrar as reações das parturientes foi utilizado um sistema de codificação facial, que classificava as emoções como medo, raiva, nojo, tristeza, alegria e surpresa.

Foi verificado que em ambos os casos a sequência de emoções é bastante similar. As mulheres começam por expressar medo, passando pela raiva, no momento em que lhe és pedido mais esforço, e acabando com a alegria de segurar a criança nos braços. Porém, de acordo com esse estudo, em condições com mais luminosidade as mulheres oscilam mais entre emoções.

“No parto em penumbra, as mulheres desativam o neo córtex e ativam o córtex primal mais facilmente. O neo córtex é ativado pela intensidade da luz. Ele libera adrenalina e deixa a mulher mais desperta. O córtex primal, por outro lado, é responsável por trazer emoções primitivas, mais animais, e liberar a oxitocina, que facilita o trabalho de parto, fazendo com que flua mais naturalmente”, elucida Michelle.

Outros fatores que podem relaxar a mulher na hora do parto

Tem outros fatores que podem ajudar a mulher a tentar desligar a cabeça no momento do parto e a deixar suas inibições de parte. Água quente e caminhadas ligeiras são duas estrategias que têm obtido ótimos resultados. A dor é chata, sim, não vamos mentir! Mas não é nada que qualquer gestante não possa suportar. É uma dor muito específica, sem comparação, que consegue ser atenuada por aquilo que representa. Um momento mágico e inigualável, do qual vai resultar o primeiro momento com um ser frágil que assim acaba de se tornar a coisa mais importante da sua vida! Mais do que a dor é a hipótese da dor que acaba por dificultar o trabalho de parto. A ansiedade nesse estado de vulnerabilidade à flor da pele é a maior inimiga de toda a gestante.

Opinião profissional

Para Fluvio Basso Filho, obstetra e ginecologista do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim, em São Paulo, o melhor recurso que a gestante deverá ter ao seu dispor é a informação. “Quanto mais ela souber do procedimento, mais controlada emocionalmente ela vai ficar”, o que vai fazer tire mais proveito do momento e acabe por facilitar o parto. Essa opinião parece ser compartilhada por Alberto Jorge Guimarães, obstetra do Centro de Estudos e Pesquisas Doutor João Amorim (Cejam). De acordo com esse especialista é urgente fazer uma distinção entre dor e sofrimento. Nada será mais eficaz do que “trabalhar as informações no pré-natal, ter um plano de parto, um acompanhante”.

Guimarães ressalva ainda a importância do ambiente para que as mães assumam um estado de espírito mais facilitador. “Estar em um ambiente com temperatura adequada, mais aquecido, ter privacidade, recorrer a massagens, imersão na água, mudar de posição, desde que com o acompanhamento adequado… Tudo isso ajuda a mulher a se sentir mais confiante e confortável”.

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