Quer construir uma pessoa desorganizada? Comece na infância!

Como o "deixar tudo" é uma forma de desconstruir a educação

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Quais as coisas mais importantes para uma família?Permitir que a criança cresça sem limites para não sentir a dor de ser contrariada? Ou seria ainda mais importante criar filhos dentro de uma disciplina militar sem os instigar ao papel de questionadores? Deveriam os filhos, desde muito cedo compreender que interferem no entorno e precisam interagir? Ou seria mais adequado que imaginassem um mundo subserviente, controlado por eles e girando à sua volta?

Como as famílias devem agir? Manter a estrutura padrão, em que um é sobrecarregado e ao outro cabem todos as funções de educar e manter a rotina familiar em ordem? Permitir que as estruturas da família tradicional se mantenham inabaladas nas aparências e impor, às mulheres, o fardo multifacetado da ordem e submissão ao marido? Ou adaptar-se para que um pouco de tudo seja realizado por todos?

Na tarefa da criação de um ser humano, nem sempre o modelo da família tradicional é repetido. A semelhança nas famílias que escolhem ter filhos está na preparação desse ser humano para o futuro.

É nesse ponto que a necessidade da ordem se impõe. Experimente não fazer nada. Experiente cruzar os braços por um ou dois dias e verá a imposição do caos sobre a sua rotina.

Serão os pratos a acumularem na pia, a poeira sobre os móveis, o lixo ficará mais visível e incômodo. Agora, experimente delegar a apenas uma pessoa o retorno à ordem. E, ao mesmo tempo em que a bagunça é controlada, delegue a essa mesma pessoa a função de manter o bem estar de todos. Peça para que faça isso sem demonstrar sinais de cansaço ou desagrado.

Tente imaginar essa mesma rotina unilateral por anos a fio. Agora tente imaginar como será o comportamento daquelas doces crianças acostumadas a ver que cabe a apenas uma pessoa evitar a instalação do caos ou o controle dele.

Pense que esses adultos, na melhor das hipóteses ficarão, de maneira inconsciente, à espera de alguém que lhes resolva a louça suja e os projetos do trabalho. Ficarão, ainda, paralisados por não conseguirem resolver os problemas pessoais, amorosos e financeiros.

Perca uns instantes imaginando que o caos, nesse caso, não será de fácil solução porque não é pontual. É uma imposição da vida, da educação recebida.

Agora, por outro momento, tente envolver suas crianças nas tarefas diárias conforme o que podem oferecer. Tente ensinar os muito pequenos a guardar os brinquedos, colabore e depois delegue a eles essa tarefa.

Imagine-se envolvendo as crianças na rotina sem que deixem de ser o que são, pequenos em formação.

Ensine que é preciso respeitar acordos e que esses são importantes para manter a calma, a paz, a ordem e afastar o caos.

Estimule os pequenos à atividade e aproveite que fará isso em um momento de doçura. Um dia, quando estiverem tão habituados a manter a rotina colaborativa, ficarão internamente agradecidos por poderem resolver as próprias questões.

Mãe com o seu filho

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