Placenta acreta: o que é, sintomas, diagnóstico, riscos e tratamento

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placenta acreta
Crédito: Freepik

Muitas situações ao longo da gravidez trazem preocupação para as gestantes. Algumas podem ser evitadas, outras simplesmente acontecem devido a alguma condição que não há como evitar. Também existem as situações que não ocorrem com tanta frequência, pegando a mamãe de surpresa. Uma dessas situações é a placenta acreta. Veja o que é, quais os tipos, fatores de risco, tratamentos e cuidados a ter ao descobrir.

Veja também: o que é descolamento da placenta?

O que é placenta acreta?

Também chamada de acretismo placentário, de acordo com os especialistas, essa condição é caracterizada pela aderência incorreta da placenta ao útero. Ela vai além dos limites esperados, fixando-se de forma profunda na parede do útero. Na hora do parto, essa má aderência dificulta a saída da placenta, aumentando o risco de hemorragia, o que pode levar a complicações e até mesmo a óbito.

Tipos de placenta ecreta

tipos de placenta acreta
Crédito: Freepik

Para entender melhor o problema é importante saber que o útero possui uma camada mais interna denominada decídua. É um tecido formado por duas camadas, uma mais externa e esponjosa e outra mais interna e compacta.

Essa formação é o que facilita o desprendimento da placenta no parto, procedimento chamado de dequitação. Mas quando a placenta se insere de forma mais profunda na decídua, dificultando seu desprendimento no parto, é a chamada placenta ecreta.

Existe uma classificação do ecretismo placentário de acordo com a profundidade de implantação da placenta ao útero, que pode ser:

Placenta acreta

Nesse tipo, a placenta invade profundamento da decídua.

Placenta increta

Nesse caso a placenta vai além da decídua, invadindo a musculatura uterina.

Placenta percreta

Ainda mais grave, nesse caso a placenta vai além da musculatura uterina, podendo comprometer os órgãos que estão perto.

Causas e fatores de risco

De acordo com o Dr. Nelson Lourenço Maia Filho, de modo geral, as gestantes que apresentam maior risco de ter a placenta acreta são aquelas com idade superior a 35 anos.

O caso também pode acontecer com mulheres que já tenham feito cirurgia uterina antes (mesmo cesárea ou curetagem), que possuem miomas no útero ou que tiveram placenta prévia, que é quando a placenta se desenvolve na região inferior do útero.

Também há um risco aumentado em gestantes fumantes, naquelas que já tiveram muitos filhos e quando existe um grande volume de placenta.

Diagnóstico e tratamento

tratamento para placenta acreta
Crédito: Freepik

É durante o pré-natal que o obstetra consegue identificar a placenta acreta na gestante, daí mais uma razão para manter o acompanhamento médico em dia. Essa identificação ocorre primeiramente por meio do ultrassom, mas pode ser confirmado por ressonância magnética e dosagem de marcadores sanguíneos.

Uma gestante com placenta ecreta não costuma apresentar sintomas, o que pode dificultar o diagnóstico. Mas em alguns casos ocorre um sangramento discreto. Sangramentos em gestantes são sempre um bom motivo para procurar o obstetra.

Caso o problema seja identificado, não há como tratar ainda durante a gestação e fazer voltar ao normal. O tratamento ocorre durante e após o parto.

Cesárea e histerectomia

Ao perceber o problema, o médico poderá determinar que a mãe tenha um parto de cesárea para que logo após o nascimento do bebê seja feita nela uma histerectomia, cirurgia para remoção parcial ou total do útero. Esse é o principal tratamento.

Cesárea e remoção da placenta

Nem sempre a remoção do útero se faz obrigatória, o que é um alívio para as mulheres que desejam manter sua fertilidade e ter mais filhos. Porém, quem vai identificar essa necessidade é o médico, de acordo com  gravidade da situação. Em muitos casos é possível fazer a cesariana e a remoção da placenta, mantendo o acompanhamento médico pós-parto.

Riscos relacionados à placenta prévia

É importante que a gestante mantenha seu acompanhamento pré-natal porque quanto antes o problema for diagnosticado, menores são os riscos de complicações como hemorragia pós-parto, complicações durante o parto, prematuridade do bebê ou ter que fazer uma cesariana de emergência.

Nessa situação, quando o problema não é devidamente identificado, além da hemorragia, a gestante corre o risco de infecções, problemas decorrentes da coagulação do sangue, ruptura da bexiga, perda da fertilidade e, em casos muito graves, o óbito.

Cuidados após o diagnóstico

Depois de descobrir que tem placenta ecreta, a gestante receberá orientações do médico par evitar grandes esforços na gestação. Se ela estiver com sangramentos pode ser mais seguro fazer mais repouso ou até ficar internada.

A alimentação adequada é muito importante para todas as gestantes, mas nesse caso deve ter cuidado redobrado para garantir a ingestão de todos os nutrientes necessários, em especial a suplementação de ferro para o caso de haver uma hemorragia no parto.