Tudo o que você precisa saber sobre a primeira hora de vida do bebê

O bebê e a mamãe passam por importantes etapas nos primeiros 60 minutos pós-parto.

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Dar à luz é um acontecimento mágico e repleto de mistérios… Muitas mulheres que são mães pela primeira vez têm imensas dúvidas, nomeadamente sobre tudo o que ocorre na primeira hora de vida dos seus filhos.

Aliás, esses minutos iniciais são extremamente importantes: é quando ocorre o primeiro contato visual entre mãe e bebê, é quando ele é examinado através de inúmeras análises para confirmar que está bem de saúde…

Para não ficar muito intimidada com esses primeiros 60 minutos, preparamos para você um artigo que explica detalhadamente tudo o que ocorre com a criança durante essa hora.

Lógico que existem pequenas diferenças entre maternidades e entre os médicos, mas este é o ritual normal, caso a mamãe e o neném gozem de plena saúde.

Cuidados com o bebê na primeira hora de vida

Aquecer e abrigar

Logo depois do parto, as enfermeiras secam os recém-nascidos para que não ocorra um quadro de hipotermia.

Afinal, o bebê sai do calor do útero para uma sala de parto que pode contar com uma temperatura mais reduzida – os termômetros podem registrar menos 15º do que a temperatura do útero (cerca de 37º).

Depois, normalmente, o neném é posto em cima do corpo da parturiente para que seja aquecido e acolhido pela mamãe.

Analisar a respiração

Regra geral, o recém-nascido começa respirando naturalmente no primeiro meio-minuto depois do parto. Sempre que isso não ocorre, a equipe de médicos executa algumas massagens muito delicadas ou toca nos pés e nas mãos do bebê. Essas ações, habitualmente, têm êxito.

Lembra daquele famoso tapinha no bumbum do recém-nascido para a criança chorar e mostrar que está respirando? Não é mais utilizado! Afinal, nem todos os bebês choram quando nascem, o que não é anormal: os nenéns apenas costumam chorar diante de uma sala de parto com baixas temperaturas ou com muita luz.

Cortar cordão umbilical

Enquanto as enfermeiras secam o bebê, o obstetra cessa o fluxo de sangue no cordão umbilical, cortando-o através de uma ferramenta que se assemelha a uma pinça.

Esse corte deve ser feito no momento ideal: se ocorrer antes do previsto, há o risco de o neném sofrer de falta de hemoglobinas e, por consequência, de um quadro de anemia.

Mas caso o cordão seja cortado tarde demais, o bebê fica com um excesso de carga das células vermelhas do sangue, o que pode causar sérios problemas na respiração e no sistema cardíaco.

Tudo deve ser feito no momento certo, ou seja, normalmente entre 1 e 3 minutos depois do nascimento. Afinal, é esse o tempo necessário até a pulsação no cordão terminar.

Examinar

Depois de passar por todas as etapas anteriores, a criança é posta num berço quente, junto da mamãe, onde é envolvido em lençóis e, em alguns casos, fica protegido com uma touca.

É nesse momento que é feito um exame ao bebê, havendo a avaliação dos batimentos do coração, da frequência da respiração, do tom da pele, dos reflexos e do tônus dos músculos.

Através dessa primeira análise, é possível concluir se a criança está bem ou se necessita de algum cuidado, como uma reanimação.

O teste tem de ser realizado nos primeiros 60 segundos de vida e repetido no 5º minuto.

Para cada avaliação, se atribui uma nota de 0 a 2, indicando se uma determinada função está ótima (2) ou não (0).

No fim do teste, os recém-nascidos que somaram entre 8 e 10 pontos estão com uma saúde excelente. Os bebês com 6 e 7 podem precisar de uma maior atenção. Se a avaliação for inferior a 5, o cenário deve suscitar alguma preocupação, nomeadamente caso seja essa a pontuação do teste repetido no 5º minuto. Nesses casos, a equipe médica terá de escolher entre vários procedimentos de recuperação.

O BEBÊ TEM DE FAZER UM EXAME, HAVENDO A Avaliação DE BATIMENTOS DO CORAÇÃO, do TOM DA PELE E dos REFLEXOS, ENTRE OUTROS EXEMPLOS

Retirar o líquido amniótico (só em casos necessários, de acordo com novas recomendações da Organização Mundial de Saúde)

Após ficar durante 9 meses num ambiente aquoso, o bebê pode ter um pouco desse líquido nas cavidades do seu rosto.

Para evitar que o líquido vá para o pulmão e origine náuseas e engasgos, os médicos podem ter necessidade de retirar o líquido a mais, através de uma sonda.

Antes de mais, esse aparelho entra pela boca e atravessa o esôfago.

De seguida, limpa as narinas: desse jeito, torna mais fácil o ato de respirar, impedindo um quadro de pneumonia e de sufocamento.

Depois, algumas maternidades têm o hábito de pesar o recém-nascido numa outra sala, antes da primeira amamentação – embora as mães tenham sempre liberdade para falar com o obstetra, se quiserem dar de mamar logo.

O pai da criança pode acompanhá-la no decorrer da pesagem.

O neném só será medido mais tarde, assim que a sua postura estiver mais esticada.

Colocar colírio (só em casos necessários, de acordo com novas recomendações da Organização Mundial de Saúde)

As maternidades podem colocar uma solução de nitrato de prata a 1% em cada um dos olhos.

Esse colírio é relevante para impedir um quadro de conjuntivite, entre outras infecções que surgem com o contato com as secreções maternas no útero e no canal vaginal, que o bebê atravessa no momento do parto.

Dar de mamar

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a criança deve ser amamentada nos primeiros 60 minutos de vida, porque, como já concluíram diversas investigações científicas, existe uma diminuição do perigo de morte e uma produção de mais anticorpos nos bebês.

Por outro lado, o ato de dar de mamar é essencial para aproximar as mamães dos bebês e fortalece as crianças para as transformações que irão ocorrer nos próximos dias, típicas para quem estava vivendo no útero altamente protetor e, agora, tem de enfrentar um mundo externo que até pode parecer aterrorizador.

Além do mais, a amamentação contribui para o aumento da ocitocina nas mães. A ocitocina é um hormônio responsável pela contração do útero e pela estimulação dos dutos dos seios, que acabam liberando o colostro – a primeira secreção do leite, que é riquíssima em células de defesa.

Por todos esses motivos, o bebê tem de ser colocado junto à mãe, após os procedimentos iniciais.

Normalmente, os recém-nascidos demoram entre 10 a 20 minutos até acharem o bico do seio e começarem a sugar.

Depois dos primeiros 60 minutos, o neném costuma adormecer para recuperar de toda a força que fez para sair do útero e se adequar ao exterior.

Nos momentos posteriores, existe uma análise dos sinais vitais da criança. É o caso da verificação da frequência dos batimentos cardíacos ou da respiração.

Esse exame tanto pode ser realizado no berçário, como no quarto da mamãe. Seja como for, o berço do bebê está sempre aquecido.

Em geral, o primeiro banho acontece seis horas depois do nascimento quando a pele já recebeu todas as propriedades do vernix, uma substância que defende a derme perante a saída do útero.

Os restantes exames são feitos 1 dia depois do nascimento. É o caso do teste do pezinho.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a criança deve ser amamentada nos primeiros 60 minutos de vida.

Atenções prestadas à mamãe

No decorrer do parto e nos primeiros 60 minutos posteriores, a mãe é observada de cinco em cinco ou de dez em dez minutos.

É feita uma avaliação da pressão arterial, da frequência cardíaca e do padrão respiratório.

Quando está tudo normal, isso significa que o corpo está reagindo bem à anestesia, sem mudanças importantes na saúde.

Por outro lado, o organismo da paciente recebe soro e remédios, como analgésicos, caso seja necessário.

Cuidados com um parto normal

Expulsar a placenta

Na grande maioria dos casos, as parturientes expelem a placenta de forma natural depois do nascimento do bebê.

Desse jeito, existe uma contração do útero e um estancamento dos vasos sanguíneos.

Sempre que essa expulsão natural da placenta não ocorre, surgem manifestações, como náuseas e desmaios. Aliás, há até o risco de a mamãe sofrer de hemorragia e infecções.

Se a placenta não for expelida naturalmente, o médico pode aplicar uns remédios ou até mesmo recorrer a uma cirurgia.

Tratar dos cortes

Conforme a elasticidade do órgão genital e o tamanho do recém-nascido, pode ser preciso executar um corte na lateral da vagina para que se facilite o parto, sem machucar a mãe.

Se esse corte for feito, o obstetra deve fechá-lo através de 1 ponto para que aconteça o ajuste perineal e para que tudo regresse ao normal.

Assegurar uma correta higiene

Mais uma vez, o obstetra avalia a mãe para confirmar que não restou qualquer pedaço da placenta e que está tudo bem com a zona perineal, com a respiração, com a pressão arterial e com os batimentos do coração.

Caso se verifique que está tudo bem, a parturiente é higienizada através de um soro fisiológico e ainda está liberada para amamentar a sua criança.

Cuidados com uma cesárea

Placenta

Remoção manual desse órgão.

Sutura

O obstetra deve executar um corte entre 10 a 15 centímetros no púbis, logo abaixo da marquinha do biquíni.

A sutura é realizada em camadas (num total de 7), através de um fio especial.

Normalmente, esse procedimento deve demorar à volta de 20 minutos.

Sonda

Como a mãe pode perder o controle da urina logo depois de dar à luz, devido à anestesia, é importante que se recorra a uma sonda para ir expulsando o xixi.

Remédios

Algumas parturientes sentem uma intensa coceira na pele, devido à morfina, uma das substâncias que compõem a anestesia.

Felizmente, esse incômodo não representa qualquer perigo e desaparece eficazmente com a aplicação de um antialérgico.

Observação

No caso de uma cesárea, o anestesista é o responsável por analisar a parturiente, dando instruções para liberar a mãe para o quarto – normalmente, quando ela já consegue mexer bem as pernas. Afinal, essa é uma prova de que o efeito está passando.

Normalmente, a observação demora entre 1 e 3 horas.

Amamentar

Depois de se prestar toda a assistência necessária à mamãe e de se fazer todos os exames ao bebê na primeira hora de vida, a parturiente pode amamentar, sem problemas.

Cuidados com a mamãe nos dois tipos de parto

Ao liberar a parturiente da sala de parto, a equipa de médicos considera que a mãe está passando bem. Porém, ela só se pode alimentar após cerca de seis horas. E essa regra se aplica mesmo que o parto não tenha tido anestesia: afinal, as mudanças provocadas pelo nascimento da criança podem influenciar o sistema digestivo.

A mamãe pode caminhar um pouco até ao banheiro, mas é importante que somente o faça após a alimentação.

Os enfermeiros vão sempre observando regularmente o estado geral da parturiente.

A mãe pode receber visitas imediatamente ou umas horas depois: tudo depende do hospital.

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