Sabia que o silêncio nas UTIs não é tão vantajoso assim para os prematuros?

Bebês que ficam em quartos isolados das UTIs sofrem de atrasos no aprendizado das palavras

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Sempre pensou que os recém-nascidos prematuros deviam passar os seus primeiros momentos de vida isolados numa UTI? Um estudo recente da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington vem desmentir isso. Os autores da pesquisa defendem que quando as crianças vivem os primeiros dias em quartos isolados de UTIs não escutam ruídos que facilitam a formação da linguagem. É o caso das vozes humanas.

Qual é a relação entre os sons e o desenvolvimento da linguagem?

Existem diversos fatores associados ao desenvolvimento da linguagem, mas os sons foram os escolhidos para esse estudo: afinal, uma pesquisa anterior já tinha concluído que os bebês prematuros que viviam os primeiros momentos em quartos isolados tinham uma linguagem mais pobre aos 2 anos, em comparação com os recém-nascidos que compartilhavam os seus quartos.

Essa falha na formação da linguagem se deve ao fato de os prematuros isolados escutarem ruídos “mecânicos”, oriundos de incubadoras ou de alarmes, entre tantos outros exemplos, havendo uma limitação dos ruídos de outros bebês, das conversas entre os médicos e da visita de parentes.

“O som da voz humana, especialmente da mãe, estimula o desenvolvimento da linguagem e do sentido da audição”

O pediatra Lívio Francisco da Silva Chaves, do departamento Científico de Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade Brasileira de Pediatria, concorda com as conclusões desse estudo: “O som da voz humana, especialmente da mãe, estimula o desenvolvimento da linguagem e do sentido da audição ao longo do tempo”, refere o médico.

Como ocorre a exposição dos sons durante a gestação?

É a partir da 20ª semana de gravidez que o feto consegue escutar cada um dos ruídos provocados pelo corpo da mãe. Já os ruídos externos chegam de forma mais atenuada. Os dois tipos de sons são processados pelo bebê e acabam contribuindo para que as suas vias auditivas fiquem mais amadurecidas, um processo que apenas termina entre os 18 e os 20 anos. De acordo com a fonoaudióloga Flávia Ribeiro, do Hospital e Maternidade São Luiz do Itaim, a audição pode ser comparada a uma árvore: “Cada estímulo sonoro forma as folhas. Desse modo, a árvore se desenvolve, ou seja, os bebês começam interpretando sons e intensidades, associando significados e integrando com outras áreas”.

Por isso, o cenário perfeito seria expor as crianças a um ambiente com um meio-termo: sem um silêncio absoluto e também sem ruído excessivo. “Nós temos muito receio de fazer qualquer ruído junto do bebê para que tudo ao seu redor fique no mais completo silêncio. Mas essa atitude não traz assim tantos benefícios. Escutar vozes é bastante importante. É essencial que os pais conversem com as crianças”.

Como os ruídos das UTIs influenciam os pequenos?

Embora uma boa parte das UTIs já tenha um controle rigoroso dos ruídos dos seus dispositivos, ainda existem certas unidades cujos aparelhos continuam emitindo sons abusivos: “Por exemplo, na incubadora, pode haver um barulho de 78 decibéis. Já um aparelho respirador conta com 80 decibéis. Essas questões têm de ser reavaliadas, porque todos os ruídos influenciam a formação das crianças.”, esclarece o pediatra Lívio.

Sem esquecer que esses sons artificiais podem causar sérios problemas de saúde: desde uma pressão arterial alterada a estresse, passando por uma redução na resistência à dor.

De resto, os médicos sugerem que os pais conversem com os pequenos e até cantem. “A música é um estímulo positivo para o desenvolvimento dos bebês. A frequência dos batimentos cardíacos pode variar consoante a intensidade e o timbre dos sons. Por outro lado, a voz humana só traz vantagens: desenvolve a memória e melhora a concentração, por exemplo”.

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Assista a esse vídeo para saber mais sobre audição infantil:

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