Repouso: o que precisa saber

Para que a saúde do bebê e da mãe esteja bem, em algum momento da gravidez será necessário repousar e ficar em casa.

0
3785

Em algum momento da sua gestação, o seu médico pode achar que você necessita repousar. Essa notícia pode trazer também aborrecimento, frustração por não poder passear seu barrigão, e até um sentimento de culpa.

Mas se seu médico aconselha, é porque poderá existir algum risco na gravidez e o melhor é mesmo prevenir para que continue tudo a correr bem até ao fim.

A Society for Maternal-Fetal Medicine (EUA), apresentou um estudo em que 18% das grávidas estadunideneses fizeram um descanso, curto ou longo, em alguma altura da sua gestação. Por quê?

Não há dúvidas que o esforço físico, além do estresse, causam desgaste ao nosso corpo, que está em mudança, podendo surgir sangramentos e contrações que podem colocar em risco mamãe e bebê.

Assim a primeira e imediata indicação do médico é aconselhar a grávida a ficar “de molho” em casa.

Quando deve o médico costuma receitar o repouso?

É importante que siga seu plano de consultas pré-natal, que seja acompanhada, e faça os exames, para seu médico poder notar possíveis alterações.

1. Pré-eclâmpsia

Pode ser identificada a pré-eclâmpsia, em que há hipertensão da futura mamãe, e que pode ser bastante perigoso se não for controlado. E o descanso é a prescrição imediata.

O obstetra Julio Junior, da Unifesp, reforça que a mulher deve deitar-se de lado, para o lado esquerdo, melhorando o fluxo de sangue para o bebê, evitando ainda que a situação piore com o estresse do cotidiano.

2. Descolamento da placenta

Há também outra situação que exige descanso: o descolamento da placenta, desprendendo-se do útero, provocando falta de oxigenação e desnutrição do bebê, assim como hemorragia.

3. Placenta prévia ou baixa 

Ou ainda a placenta prévia ou baixa, que se desenvolve abaixo do útero, que provoca bastante perda de sangue.

4. Ruptura precoce da bolsa

Também a ruptura precoce da bolsa exige descanso absoluto, pois esta situação conduz à perda de líquido amniótico, que pode provocar infecções ao bebé; além do risco de ter o prolapso do cordão, em que pela compressão o fluxo sanguíneo pode deixar de passar da mãe para o bebê.

5. Dilatação antecipada do colo do útero

No último trimestre, pode acontecer a dilatação antecipada do colo do útero, o que pode precipitar o parto.

O médico diz para repousar, mas que repouso fazer?

Depois de o seu médico dizer para você descansar, é normal ficar um pouco desorientada, pois começa a pensar que tem de passar a restante gestação deitada em uma cama. E receia que o descanso não resolva o problema que foi identificado.

Mas tenha calma, pois “se seguir todas as recomendações, usualmente o repouso resolve”, esclarece Elito Junior.

Dependendo do caso, o seu repouso pode ser relativo, em que o médico apenas indica a mulher para parar de trabalhar e não fazer esforços físicos severos, mas em casa pode andar e fazer as suas atividades normais, como ir ao banheiro ou tomar banho sozinha. Pode também trabalhar no computador, sentada. Faxina, nunca.

Relacionado: 4 dicas para um sono tranquilo durante a gestação

Mas o seu repouso pode ser total, e aí não há como fugir de uma pausa total nas atividades, podendo chegar a uma internação no hospital, para uma maior vigilância. “É normal restringir-se a casos de pré-eclâmpsia”, adverte o professor Gerson Aranha, Obstetra e professor da Universidade Metropolitana de Santos (SP).

Portanto, nem todas as situações exigem esse cuidado rigoroso. Mesmo nesse caso as restrições variam de acordo com o estado clínico da gestante e terá de ser analisado caso a caso.

A maioria das mulheres em repouso pode levantar para ir ao banheiro ou tomar banho. Outras com dilatação alarmante do colo do útero, podem ficar sempre na cama. Também a etapa da gestação vai ditar que descanso será necessário: a pré-eclâmpsia é identificada após o quinto mês; questões relacionadas com placenta e líquido amniótico acontecem no terceiro trimestre, sendo mais complicado.

O estresse, um inimigo do repouso e de uma gravidez relaxada

Se você está passando por alguma das situações mencionadas, pode começar a ficar atormentada com o medo de perder seu bebê e ficar com sentimento de culpa. E isso pode causar outras perturbações que vão interferir no sono, na alimentação, podendo mesmo desencadear ansiedade ou mesmo depressão.

A psicóloga Vanessa Guarino, da Universidade de São Paulo, diz que os familiares são a rede de apoio consistente. O que ela quer dizer é que a futura mamãe deve ser ouvida com calma, e, se necessário, devem aconselhá-la. Uma vez que ela está limitada em casa, sem poder movimentar-se muito, é crucial fazer-lhe companhia e dar apoio que que seus dias tenham ocupação “Sugira filmes, empreste livros, conte piadas, ou histórias do cotidiano… Ela vai precisar para se distrair”, aconselha a psicóloga.

Para que essa fase mais da gestação passe rápido e de forma mais descontraída, convide seus amigos, peça a uma amiga para organizar um chá de bebê para você.

Para quem precisa de descanso e tem um filho mais velho em casa, não será fácil. Aproveite para lhe explicar tudo o que se está passando, envolva ele nesse momento importante e que o irmão conta com a ajuda dele. “A conversa é sempre o melhor solução”, garante Vanessa Guarino. E, mais uma vez, peça ajuda aos seus familiares para cuidar do seu filho maiorzinho, como dar banho ou levar à escola.

Apesar de conversar e explicar tudo para ele, ele vai querer a sua atenção. Então, sugira brincadeiras mais calmas, feitas a dois, onde você estiver a descansar. Jogos de memória, livros coloridos podem ser boas sugestões. Assim, mãe e filho continuam estreitando a sua relação, amenizando a ansiedade que ele possa sentir pela chegada de seu irmão, e a mamãe também terá companhia, carinho e amor.

Como a lei vê o repouso?

Se seu médico lhe prescreve descanso, você não pode continuar trabalhando ou colocará em causa a sua vida e a do seu bebê, em muitos casos.

Em qualquer momento da sua gravidez, a gestante tem direito a descanso remunerado, que tem o nome auxílio-doença e isso também se aplica às autônomas.

O que deve fazer? Ela tem apenas que entregar o atestado médico na empresa onde trabalha, pois essa custeará os primeiros 15 dias de salário em que você ficará em casa. Depois o contrato fica suspenso e será a Previdência Social a pagar os custos.

Você precisa ainda de ir ao site da segurança social, agendar perícia e depois deslocar-se a um posto do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Um médico fará uma avaliação e dará o “ok” para ter acesso a esse benefício durante o tempo em que estiver de atestado médico, que pode ser até ao início da licença de maternidade.

O benefício financeiro não será integral, pois leva em conta o período de contribuição, esclarece a advogada Dânia Fiorin Longhi, professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP). O cálculo é feito pelo INSS (vá ao site da previdência para perceber melhor como é feito esse cálculo).

Durante esse período o vale-alimentação ou refeição ficam suspensos, exceto nos casos em que esteja contemplado na convenção coletiva de trabalho. O apoio também serve para as grávidas que sejam trabalhadoras autônomas, mas terão que ter contribuído para o INSS pelo menos por 10 meses. O auxílio será calculado tendo em conta a média do valor de remuneração dos últimos 12 meses e deverá proceder da mesma forma, ou seja, ir no site e marcar a perícia do médico.

A licença-maternidade pode iniciar 28 dias antes do parto, mas não será a grávida a decidir, mas sim o seu médico. A partir desse momento o INSS deixa de pagar os custos e passa a ser a empresa, onde a grávida trabalha a pagar o salário integral, dependendo da convenção coletiva de cada categoria.

As grávidas que trabalham de forma autônoma continuarão a receber o auxílio da Previdência Social, por 4 meses. As providências são as mesmas, ou seja acessar o site, marcar perícia para apresentar o documento médico. Se a contratação foi feita no regime CLT, as companhias dão mais tempo de licença-maternidade: 180 dias para as trabalhadoras que acabaram de ser mães poderem cuidar dos seus bebês.

O que fazer em casa? Nada!

A grávida precisa de repouso, por isso fica proibida de fazer seja o que for. Organizar armários está fora de questão. Refeições, outra pessoa vai ter que preparar por você. Faxina, nem pensar. É aí que entram seus familiares, amigos, vizinhos ou se puder pagar chame alguém para o trabalho doméstico.

O que comer: saudável apenas!

Num gestação de risco, para além do descanso, a alimentação é importante, para que tudo fique bem. Então, esqueça comida congelada de supermercado! Se não tem tempo, nem pode esforçar-se para fazer refeição a toda a hora, quando seus familiares cozinharem para você, peça para cozinhar em maior quantidade. Guarde no freezer ou congelador para consumir nos dias que seguem.

Mas o ideal é variar na alimentação, então pode optar também por ver que empresas comercializam marmitas frescas e nutritivas.

Sabemos que não é fácil, mas o repouso é muito importante!