Miastenia gravis na gravidez: tudo o que precisa saber

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Existem doenças menos comuns, que muitas pessoas só vão conhecer quando passam por uma delas, como é o caso da miastenia gravis, uma condição que afeta mais mulheres do que homens, exceto após os 60 anos, quando o quadro se inverte.

Quando essa doença é diagnosticada em uma gestante, ela pode transmitir ao bebê, e é aí onde mora a grande preocupação. Saiba tudo sobre essa doença a seguir.

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O que é miastenia gravis?

De acordo com o Dr. Drauzio Varella, miastenia gravis é “uma condição que causa fraqueza muscular decorrente de distúrbios nos receptores de acetilcolina localizados na placa existente entre os nervos e os músculos.

Isso interfere na transmissão do impulso nervoso e provoca o enfraquecimento dos músculos estriados esqueléticos”.

Essa doença é mais prevalente nas mulheres com idade entre 20 e 35 anos. Já nos idosos, são os homens o grupo mais afetado. Essa doença tem dois tipos:

Miastenia autoimune

Também chamada de miastenia adquirida, o médico explica que, “o que ocorre é uma resposta imunológica que se volta contra os componentes da placa motora responsável pela transmissão do estímulo nervoso que faz o músculo contrair”.

Ela pode se manifestar apenas na idade adulta, como comprova o índice de prevalência da doença em pessoas com mais de 20 anos de idade.

Miastenia congênita

As doenças congênitas são aquelas que se desenvolvem dentro do útero. No caso dessa doença, os anticorpos produzidos pela mãe passam pela placenta e chegam ao feto, mas a doença não necessariamente será transmitida a ele.

O que se notou, em um estudo de caso-controle com dados da população da Noruega e Holanda, foi que entre 246 mulheres com miastenia gravis, 35 sentiram os primeiros sintomas durante a gravidez ou no pós-parto, o que fez os pesquisadores concluírem que esse período da vida da mulher é de alto risco para o início dos sintomas da doença que já estava no organismo dela.

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Sintomas de miastenia gravis

sintomas de miastenia gravis
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Não se conhece a causa dessa doença, mas é possível determinar os seus sintomas para que as pessoas predispostas fiquem atentas, sejam gestantes ou não:

  • Dificuldade para mastigar e engolir;
  • Fadiga extrema;
  • Falta de ar;
  • Fraqueza muscular;
  • Pálpebras caídas;
  • Voz anasalada;
  • Visão dupla.

É comum que esses sintomas piorem com o esforço físico, agitações, altas temperaturas e infecções. Além do mais, sua intensidade fica variando algumas vezes no decorrer de um mesmo dia.

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O que fazer durante a gravidez?

A miastenia gravis ainda não tem cura. Ela é uma doença autoimune progressiva e é especialmente de risco durante a gestação. Mas é possível manter a doença sob controle e ter um bebê saudável.

Nem sempre a mãe vai passar a doença para o bebê, mas o grande risco está na hora do parto, já que a mãe sofre com fraqueza muscular.

Para as mulheres que já tinham sido diagnosticadas antes da gravidez, o tratamento pode continuar o mesmo.

Para as que ainda não tinham os sintomas e só começaram a sentir durante a gestação, devem imediatamente procurar seu obstetra para diagnosticar a doença e iniciar o tratamento mais adequado, que varia conforme cada caso.

Se a mulher já sabe que tem a doença e pretende engravidar, recomenda-se que ela espere 2 anos após o diagnóstico, por há um risco maior de morte se ela engravidar no primeiro ano da doença.

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Cuidados durante o parto

cuidados durante a miastenia gravis
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Além dos cuidados especiais com a saúde da mãe, a principal preocupação dessa doença na gestação é com relação ao momento do parto, pois a mãe poderá não ter força muscular suficiente para que as contrações expulsem o bebê. Mas nem por isso é impossível realizar um parto normal.

Pode fazer parto normal

A menos que o médico obstetra da gestante diga que é mais seguro fazer uma cesária, deve-se optar pelo parto via vaginal. Mesmo que haja fraqueza muscular para a saída do bebê, os médicos podem intervir com fórceps ou extrator obstétrico, reduzindo o tempo de trabalho de parto.

Quando optar pela cesária

A cesariana é recomendada quando a mãe passou uma gestação com fortes sintomas da doença ou quando se observa comprometimento respiratório. Nesse caso também recomenda-se fazer uma anestesia geral para que se possa controlar melhor a oxigenação e as secreções da mãe.

Também, a cesária pode ser feita caso haja sinais de sofrimento fetal ou outros problemas com o bebê.

Cuidados com a mãe

A mãe está mais em risco do que o bebê, depois do parto. Ela necessita de atenção especial, pois os sintomas tendem a se intensificar. Ela deve ficar em observação pelas próximas 3 semanas. Poderá amamentar seu bebê se tiver condições para isso e se os médicos acharem que é seguro.

Há casos em que amamentar não é recomendado, como quando a mulher está em tratamento com medicação ou quando a doença está muito ativa, pois os anticorpos doentes podem ser transmitidos ao bebê pelo leite, trazendo sintomas ao bebê, mesmo que ele vá se curar sozinho depois.

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Quando a doença passa para o bebê?

Como essa é uma doença autoimune, precisa que os determinados anticorpos causadores da doença estejam no corpo do bebê.

Porém, esse tipo de anticorpos não é produzido pelo organismo do recém-nascido, então, mesmo nos poucos casos em que o bebê nasce com os anticorpos doentes passados pela mãe, em alguns dias ou semanas eles desaparecem e o bebê fica saudável, livre da doença.