Crianças devem correr riscos: os perigos do controle excessivo dos pais

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crianças devem correr riscos nas brincadeiras
Crédito: Freepik

Infância é sinônimo de aventura e de descobertas. Essa é uma fase da vida que combina, portanto, com arriscar. Os especialistas afirmam que crianças devem correr riscos, pois essa é uma forma de elas acertarem, de errarem e de descobrirem os próprios limites. O aprendizado nos primeiros anos de vida vem justamente do contato com o mundo ao redor.

Antigamente os pequenos pulavam muros, subiam em árvores, caíam da bicicleta, jogavam jogos violentos e tomavam longos banhos de chuva. A diversão na infância era sinônimo de exploração pouquíssimos anos atrás. E, obviamente, explorar envolve arriscar algumas coisas. Às vezes é um joelho, outras vezes um braço.

A modernidade, no entanto, mudou essa situação. As ruas, as gangorras, os escorregadores e as brincadeiras de pega-pega foram substituídas por telas. Já não há mais aquele sentimento de emoção, a adrenalina das conquistas. As crianças de hoje sofrem um excesso absurdo de controle por parte dos pais.

Crianças devem correr riscos de forma saudável

crianças devem correr riscos ao brincarem
Crédito: Freepik

A sociedade, infelizmente, passa por mudanças que não são benéficas. O Brasil, por exemplo, apresenta uma alta taxa de violência nas ruas. É normal, portanto, que os pais tenham medo dos riscos que seus filhos correm ao brincarem fora de casa. É preciso proteger, sim, as crianças, mas correr riscos na infância cria adultos resilientes.

O que é preciso compreender é que de modo algum correr riscos significa colocar as crianças em perigo. É papel dos pais controlar isso, mas ao mesmo tempo fornecer espaço para que elas cresçam e se preparem para o futuro. Especialistas defendem que as crianças precisam sofrer acidentes, quedas e machucados para, justamente, entenderem quando vale a pena arriscar na vida adulta.

As crianças devem correr riscos para aprenderem a ter medo. Isso é essencial para que percebam até onde podem ir. Ao mesmo tempo, sofrer pequenas quedas, físicas ou emocionais, serve para que entendam o que é ser derrotado. A infância é a fase ideal para se aprender as lições mais básicas da vida, como o que é vencer ou perder.

Aos pais cabe, inicialmente, discernir o que é risco real e risco percebido. O risco real é a criança andar de skate em uma avenida movimentada, sem equipamentos de proteção. O risco percebido é quando a criança se sente desafiada a passar por uma experiência que, sim, pode machucá-la, mas nunca de forma grave.

É função dos adultos proporcionar riscos percebidos às crianças

O problema do excesso de controle

as crianças devem correr riscos quando brincam
Crédito: Pixabay

O excesso de controle dos pais em relação às crianças se deve ao aumento do medo da sociedade em geral. Há uma série de transformações sociais ocorridas nas últimas décadas que faz com que os pais sejam cada vez mais avessos aos riscos. As gerações anteriores às atuais possuíam menos preocupações com isso, o que é compreensível.

Hoje é comum que muitos pais vejam as crianças como incapazes de passar por aquilo que eles mesmos passaram em suas infâncias. É a ideia de superproteção. É o medo de que os filhos batam a cabeça ao jogarem bola e sofram algo mais que um corte ou um galo na testa.

Os pais – e a sociedade em geral – precisam rever o olhar que têm sobre a autonomia infantil. É preciso encontrar um meio termo. A criança insegura deve ser apoiada a vencer seus medos e a arriscar. Mas claro que os pequenos que são autoconfiantes em excesso devem ser alertados para os limites de suas ações.

O que importa, portanto, é haver equilíbrio na interferência parental. Só se aprende a tolerar a dor quando se sente a dor. Essa é uma verdade esquecida pelos pais modernos, infelizmente. É deles a responsabilidade de preparar e de ensinar a criança para os desafios e obstáculos da vida.